O Festival

Festival As 4 Estações

O cenário da música instrumental brasileira está escrevendo um capítulo surpreendente em sua história com o festival As 4 Estações. A instrumentalidade é o fio condutor que une os diversos grupos que se apresentarão do dia 21 a 24 de julho na Casa das Caldeiras, um imponente edifício tombado do início do século passado.

Abraçando diversos estilos e sonoridades, a programação conta com a música erudita, popular e tradicional, estimulando os sentidos para uma vivência sazonal e rítmica onde o inverno aproxima, o verão liberta, o outono contempla e a primavera celebra, em uma programação pensada para atingir todas as temperaturas e evidenciar o trabalho primoroso da música instrumental brasileira.

Abrindo e fechando o festival, a Camerata Latino Americana, sob a regência de Simone Menezes, executará As 4 Estações do gênio barroco Antonio Vivaldi, acompanhada pelo deslumbrante vídeo mapping 360° da Visualfarm, produtora brasileira pioneira no desenvolvimento de novas linguagens visuais. Através da sinergia entre imagens e sons, em uma experiência multissensorial única, o espectador vivenciará a passagem das estações do ano. 

Projeções mapeadas tem a incrível capacidade de fazer o espectador mergulhar em uma realidade criada pela tecnologia mágica da arte digital. Se, somente o espetáculo tridimensional do vídeo mapping 360° já é belo e impactante por si só, casá-lo com a obra-prima de Vivaldi é criar uma experiência artística tão inédita, quanto poderosa.

Atualmente vivemos tempos agitados em todas as esferas de nossa sociedade, algo similar ao que ocorreu no período barroco, onde tudo mudava rápido, em rompantes criativos sem precedentes. Em As 4 Estações, Vivaldi descreve o fenômeno natural que ordena a vida no planeta Terra, contrapondo o poder da natureza e a temporalidade humana de maneira tanto inovadora, como magistral. 

A INSPIRAÇÃO 

Século XVIII 

Dois séculos após as Grandes Navegações iniciarem a Idade Moderna impulsionando enormemente o desenvolvimento da cartografia, astronomia e demais descobertas científicas inimagináveis, vemos o deslumbramento do período barroco em belíssimas cartas celestes, como não poderia ser diferente, depois que Galileu Galilei revelou que a Via Láctea continha milhõesde estrelas cem anos antes... A Europa ainda estava deslumbrada... 

Antonio Lucio Vivaldi 

03Vivaldi_VivaldiO grande mestre do barroco tardio, o compositor Antonio Lucio Vivaldi, nasceu em Veneza em 1678 e morreu em Viena em 1741. Era um sacerdote católico conhecido como il prete rosso (o padre ruivo). Vivaldi é aclamado como um dos maiores músicos do período, uma época agitada em que as pessoas estavam ávidas por novidades. Deixou ampla e importante obra: compôs cerca de 770 obras, entre as quais 477 concertos e 46 óperas, sendo as “Le quattro stagioni” (“As Quatro Estações”) uma das suas obras mais conhecidas e amplamente executadas por diversas orquestras ao redor do mundo.  

Aos 23 anos e apenas um ano após a sua ordenação, não mais celebrou missas por razões de saúde (acredita-se que devido a asma) e dedicou-se inteiramente ao ensino de violino em um orfanato para moças, chamado “Ospedalle di Santa Maria della Visitazione o della Pietà”. Este era um dos quatro grandes orfanatos de Veneza e o único restrito para meninas, acolhendo não apenas crianças abandonadas pelas famílias pobres, mas também as bastardas ou filhas naturais da nobreza. No início do século 18, cerca de mil meninas, de todas as idades, inclusive adultas, habitavam a Pietà, cuja vida resumia-se a religião e música. Rapidamente as internas se afeiçoaram ao jovem padre e Vivaldi compôs para elas a maior parte de suas obras, de cantatas, a concertos, além de música sacra de extrema beleza. O compositor promoveu a transformação do convento em ponto turístico obrigatório de Veneza, onde os visitantes da cidade para lá se dirigiam para assistir os concertos instrumentais executados pelas meninas. Vivadi chegou a compor dois concertos novos por mês, o que explica o grande volume de composições que criou. Sendo um convento, as meninas da Pietà tocavam protegidas por uma grade e assim não ficarem totalmente expostas ao público.   

Em 1705 Vivaldi publicou os primeiros trabalhos e em 1712 compôs e publicou uma coleção de 12 concertos, o “L'Estro Armonico”, que obteve grande sucesso em toda a Europa, sendo seis obras dessa coleção, transcritas por J. S. Bach alguns anos depois. Segundo o pesquisador Michael Talbot, foi a coletânea de música instrumental mais influente em todo o século 18. 

Entre seus inúmeros feitos, consta o estabelecimento das bases do que ficou conhecido como concerto all’italiana (concerto italiano) cujo formato ultrapassou as fronteiras da Itália, sendo adotado pelos alemães Bach e Händel, entre outros. 

Em Amsterdã, no ano de 1725 o mestre publicou uma série de 12 concertos, o Opus 8, onde os 4 primeiros referem-se “As Quatro Estações”. Na época, estes receberam o nome de Il Cimento dell’Armonia e dell’Invenzione (A Disputa da Harmonia e da Invenção) sendo os quatro concertos compostos para violino solo, cordas e baixo contínuo. O objetivo de Vivaldi era apresentar obras inovadoras e experimentais, contrapondo a sua criatividade (a “invenção”) com o tradicionalismo da escrita musical (a “harmonia”). A inspiração para os concertos foi provavelmente o entorno da cidade de Mantua e consistiram em verdadeira revolução musical. Em “As Quatro Estações” o compositor retratou o som dos riachos, o canto específico de diversas espécies de pássaros, latidos, zumbido de mosquitos, balido de ovelhas, o som retumbante de tempestades, além dos movimentos de dançarinos embriagados, a placidez de noites silenciosas, o flamejar das fogueiras, o tremor do corpo fustigado pelo frio, as paisagens congeladas, o alvoroço das crianças patinando e a tensão de uma caçada tanto do ponto de vista da caça como do caçador. Felizmente, para cada concerto foi composto um soneto, que assim propiciaram um melhor entendimento das cenas imaginadas por Vivaldi. 

Segundo Marc Pincherle, conhecido estudioso da vida do compositor, os sonetos parecem ter surgido em um momento posterior à primeira publicação dos concertos, talvez por algum admirador da obra do mestre. 

04Partitura_Vivaldi

Pincherle sustenta sua teoria apontando uma carta escrita pelo próprio músico ao Conde Wenzel von Morzin, onde ele explica porque está publicando novamente “As Quatro Estações”; nesta, ele menciona os sonetos como agentes de elucidação de tudo o que se passa na obra. As partituras agora publicadas continham indicações do que a música retratava, fornecendo orientações para melhor interpretação das passagens. 

Nas palavras do musicólogo Robins Landon, “suas composições têm estilo intensamente pessoal, com sonoridade nervosa e grande concentração de desenhos rítmicos que, uma vez ouvidos, permanecem, literalmente inesquecíveis". A escrita de Vivaldi utiliza escalas e arpejos abundantemente, exigindo dos músicos extremo controle e mantendo-os sempre em sua melhor forma. Além da profícua produção de grande qualidade, Vivaldi foi um dos pioneiros em compor para variados instrumentos – quase todos os que haviam em sua época. 

Após a morte do compositor sua música parou de ser tocada para o grande público, ficando restrita ao conhecimento de historiadores e pesquisadores por duzentos anos. Mas, no início do século vinte, a música barroca experimentou renovado interesse e a obra de Vivaldi voltou a ser executada e nunca mais parou. Tanto “As Quatro Estações”, assim como o “Glória” obtiveram uma popularidade rara no universo da música erudita, à ponto de figurar entre as sonoridades mais reconhecidas pelo ouvido humano, logo depois dos sons da natureza. 

    

CURADORIA MUSICAL 

Ricardo Rodrigues e Maithe Bertolini assumem a curadoria musical do festival. 

Ricardo é Radialista e Produtor Cultural, graduado no curso de Imagem e Som na Universidade Federal de São Carlos. É Diretor Geral do Festival CONTATO desde 2007 e sócio-proprietário e programador do Espaço Cultural GIG em São Carlos. E gestor e produtor da Let’s GIG - Booking & Music Services. Foi Diretor da Rádio UFSCar de 2007 à 2014 e Vice-Presidente da Associação das Rádios Públicas do Brasil - ARPUB (2013/14). Como curador Ricardo já atuou em diversos projetos e mais recentemente no festival Dia da Música e no Edital PROAC de gravação de disco de canção. 

Neste momento participa também na realização da décima edição do Festival CONTATO e na gestão de dois projetos do Espaço Cultural GIG, contemplados nos Editais de Programação Continuada de Música do MinC-Funarte e Territórios das Artes da Secretaria de Estado da Cultura.

Maithe é produtora cultural e há 10 anos atua em projetos e ações que tem importantes características em comum – coletividade, colaboratividade, compartilhamento do conhecimento, formação, inovação e cultura independente. Especialista em Artes Visuais pela Unicamp, assina a direção de produção e curadoria em Novas Mídias do Festival CONTATO além de também ser  sócia-proprietária do GIG - São Carlos, espaço cultural que fomenta de maneira significativa a cena artística do interior de São Paulo. 

  

LOCAL

Casa das Caldeiras - Avenida Francisco Matarazzo, 2.000 - Água Branca - São Paulo/SP

livre

Classificação Etária
Livre

entrada

Entrada gratuita *

capacidade

Capacidade
1.200 pessoas 

accessibilidade

Acessibilidade  

alimentacao

Praça de Alimentação

bicicleta

Bicicletário **

no-food-allowed

Não permitimos entrada com bebidas e alimentos 

animais

Não é permitida a entrada de animais.

menores

Menores apenas acompanhados dos responsáveis legais.

camiseta

É proibida a entrada com camisas de time de futebol

* Por ordem de chegada, sem retirada de ingressos antecipados. Sujeito a lotação da casa.
** Venha de bicicleta e traga cadeado.